O terramoto politico nos Estados Unidos

Ainda sob o impacto do terramoto americano procurei ontem com o Jorge Silva, na TDM, analisar os primeiros indícios do que aconteceu e tentar logribar as suas causas. Vi por ai, ontem, duas ideias aprioristicas que são absolutamente de rejeitar, porque inconsequentes. A primeira que temos a emergência de um fascismo americano, xenófobo e racista. A segunda que a culpa do que aconteceu é dos eleitores americanos que foram estúpidos. Uma análise mais fina da história dos Estados Unidos revela que este fenómeno aconteceu, várias vezes, em períodos de ruptura no fim de longos tempos de empastelamento. Dei ontem comigo a pensar que esta apetência do isolamento do mundo começa desde logo nos Pais Fundadores. Tinha levado comigo para a TDM um excerpto da Mensagem de Despedida de George Washington que bem retrata este apelo de se ‘fechar’ em si mesmo longe dos mares turbulentos da Europa distante. Fica para uma próxima. Lembra alguns presidentes marcantes. Andrew Jackson, um homem com características muito semelhantes a Trump e que ainda hoje prendem a atenção dos historiadores. Os homens politicos não nascem por acaso, por azar do destino. São as circunstâncias que os criam. A segunda observação pouco prudente é que o povo é estúpido e que votou mal. Não se deve julgar quem vota conforme se ajusta ou não ajusta às nossas ideias aprioristicas. Os analistas e os politólogos de bom senso não o fazem, porque isso significa investigar factos sociais, sem olhar às causas, sem uma aproximação metodológica. Em Ciência Política isso não se faz. É como que cavar um buraco na terra com as mãos ou com uma colher. É preciso termos os utensilios adequados para sermos eficientes na investigação. O que parece conclusivo é que a votação foi maciça em Trump, furou todas as sondagens e ultrapassou as expectativas do staff de campanha de Trump. Cruzou toda a extensão dos Estados Unidos, capturou redutos democratas como o Wisconsin, a Pensilvânia, refez o mapa eleitoral dos Estados Unidos. Captou votos no eleitorado latino [17%], no eleitorado negro [11%] e no eleitorado feminino, algo que parecia contra-natura. Houve algo que a candidatura de Donald Trump mexeu no subconsciente do povo americano. Cabe fazer nos próximos meses uma análise calma, racional e sobretudo prospectiva do que aconteceu. Darei o meu contributo numa plataforma que a seu tempo anunciarei. Se a América não será a mesma, o mundo também não. O Tsunami politico que vem aí é de enormes proporções. Serão refeitas alianças [com a Europa e a NATO], desfeitas políticas internas [de Obama], celebrados novos acordos estratégicos [com Putin], reposicionadas relações bilaterais [com a China de Xi Jinping]. Fechou-se um ciclo de 8 anos aberto pela presidência de Barack Obama, irá começar outro profundamente diferente. Discernia-se ontem quanto ao amolecimento do candidato, quando no poder e à sua rendição ao conservadorismo tradicional norte-americano. A minha resposta é simples. Trump é um empresário feito politico, self-made man, solitário, solicentrado. Não faz equipa, constitui e dirige a equipa que o serve como um CEO dirige uma multinacional, por objectivos. Depois ninguém muda de personalidade aos 70 anos. É-se assim.

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2 respostas a O terramoto politico nos Estados Unidos

  1. Acima de tudo foi uma escolha livre e tem que ser respeitada.
    Ou só respeitamos quando gostamos??

    • Sim exactamente. Nao sou dos que acha que Donald Trump é um louco desvaridado. É uma estratégia que ele segue dirigindo-se ao americano das pequenas cidades que não gosta de fancy words, que acha que os States são ‘great’e que acha que as mulheres gostam de piropos fortes.

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