A queda da população escolar. Um colapso geracional.

Vamos pagar isto caro, muito caro. Refiro-me à queda vertiginosa de novos nascimentos e ao decrescente número da alunos em idade escolar. É algo que está para ficar e a meu ver irá agravar-se ainda mais. A responsabilidade é das gerações mais velhas e das elites políticas e educacionais. Com reflexos evidentes nos partidos e nos sindicatos. A lógica [à esquerda e direita] tem sido linear: são as velhas gerações que pagam impostos, que têm trabalho para toda a vida, que fazem mais poupanças. Vamos aumentar os seus rendimentos directos e indirectos para que paguem mais impostos e logo subam as receitas do Estado. Vamos ‘mimá-las’ porque são os que votam, quase por automatismo. E os governos precisam de apoio nas sondagens e os partidos de votos para se manterem à tona de água, bem como manterem a corte politica que se reveza no Parlamento, nas autarquias, nas empresas públicas. Ontem a direita, hoje à esquerda. Não é diferente nos sindicatos [e nas centrais] da CGTP e da UGT. São as gerações mais velhas as sindicalizadas, as mais novas não se importam, porque já perceberam que a capacidade ‘leverage’ das organizações sindicais é pouco mais que zero. Porque quem desconta para o sindicato, perpetua a camarilha que nos sindicatos não faz mais que ‘trabalho sindical’. Há décadas que não vão ao local de trabalho, mas continuam com todas as regalias de trabalhadores a tempo total.
O que acontece é que as novas gerações, com as melhores qualificações de sempre, não estão para ‘marcar passo’. E emigram [mandam-se] quando a oportunidade surge e vão ganhar [cá fora] melhor que algum dia poderiam ganhar em Portugal. Porque a concorrência é pelo mérito; não pelo partido ou pela genuflexão ao chefe medíocre que se perpetua no poder empresarial e na função pública e distribui os prémios e as promoções, perdulariamente. Naturalmente quem singra cá fora não regressa ou pelo menos não regressa já. Fica quem não pode sair. Ou por falta de qualificações e ambição ou porque preferem o comodismo do trabalho das 9 às 5 e depois o cinema, a praia ou o shopping.
Isso traduz-se numa verdadeira canga social para as novas gerações. Não contam, em termos eleitorais, porque não votam, nem se recenseiam. Não contam porque os seus impostos são diminutos na proporção dos baixos salários que auferem. Não contam porque têm menos filhos que as gerações anteriores. Hoje a regra é um filho por casal, enquanto antes eram dois.
Á medida que o tecido social envelhece a potencialidade da sua regeneração cai e as elites perpetuam-se quase até ao envelhecimento. Basta olhar para os sindicatos, para os lideres das IPSS, para os politicos nas direcções partidárias. E mesmo quando a sua idade não se conforma com esse perfil são ideologicamente velhos, calculistas, inimigos do risco e da inovação, burocratizados.
Vamos chegar a um tempo que teremos as escolas primárias a fechar não pela detereoração das instalações ouy pela falta de professores mas porque não há alunos. Logo serão precisos menos professores; e menos carga horária; e menos dirigentes sindicais; e menos burocratas no Ministério da Educação; e por aí fora.
Ao contrário do que dizem os partidos não há soluções milagrosas para este problema dramático e quaisquer politicas destinadas a minorá-lo só produzirão efeitos dentro de uma década, de uma década e meia.
Portugal está condenado a ser um país de residencia de reformados do Norte da Europa, da classe media asiatica e o destino de viagens charter de baixo custo. Tem o sol, as praias, as paisagens, os monumentos, a comida e o vinho. Ficam apenas os que não podem sair.

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