O doce irrealismo dos comunistas

O problema dos comunistas é que vivem num mundo irreal, cheio de regras, disciplina, castigos, dogmas, leituras maniqueistas feitas de ‘ou és por nós, ou és contra nós’. É um mundo simples que dou comigo a comparar às igrejas. Depois de lá se estar, decora-se o dogma, balbuciam-se uns Pais Nossos e umas Avé Marias e veneram-se os santos, sejam eles o Marx, o Cunhal ou o Mao. Depois a politico-estrutura decide o resto e o “bom cidadão’ é o patriota que diz sempre sim ao lider e toma como inimigo do povo aquele que pensa diferente e, sobretudo, questiona as verdades, quer dizer o dogma que ele segue. Durante um certo tempo ainda julguei que as novas gerações de comunistas, não vivenciando o que os seus antecessores viveram, tivessem um espírito mais aberto, mais tolerante, mais plural. Naturalmente nesse meu exercício, esqueci o que é um dogma, um ritual. Ele não existe para pôr a pensar mas para dar certezas inabaláveis, para vencer dúvidas intimas e fortalecer quem nasceu [ou se sente] inseguro. Por isso ser comunista é fácil: empinam-se meia dúzia de slogans, selecciona-se bem o que se lê e ouve, tem-se na ponta da lingua a resposta que o controleiro disparou na sessão de leitura e na reunião de célula. vai-se ao comicio ou à manifestação que a DOR determinou, O partido acima de tudo; o indivíduo é secundário; a disciplina primeiro que tudo; o gozo das liberdades algo que há-que disfrutar q.b., sem abusar. Dei comigo a pensar que esta jovem que comenta no Expresso poderia ter sido uma beata convicta, uma freira de uma qualquer congregação de religiosas mas não, optou por ser comunista e morrerá provavelmente comunista. Quando ela fala da liberdade ela não sabe o que é porque não a experimentou verdadeiramente naquilo que é o principio da liberdade das escolhas, das opções de vida e de trabalho. Nos países que ela adora – por ter ouvido outros falar – o Estado escolhia a escola que se frequentava, o curso superior que se tirava ou ainda a profissão de ‘acordo com as necessidades do Estado” e o planeamento impositivo. Por isso, não consegue ou quer compreender que cada um possa ter a liberdade de escolher a escola que gosta, a profissão que almeja, o número de filhos que ambiciona ter. Há países socialistas que nem isso era/é permitido às famílias. Naturalmente ela diz o que aqui escreve, com convicção. Ninguém o discute. Mas a maioria de nós gostaria que pudesse fugir da lógica imperativa da convicção para poder admitir que outras soluções são igualmente vantajosas. http://expresso.sapo.pt/…/2016-05-25-E-se-surgisse-uma-prat…See More

Arnaldo Goncalves's photo.
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