A nova Inquisição

stalin

Gostei muito desta crónica (http://www.sabado.pt/portugal/detalhe/cronica_concordo_com_o_raposo_odeiem_me_tambem.html) . Fala de uma realidade de que ouvi falar. Nada do que aqui se diz me admira. A solidão das pessoas nesse Alentejo profundo é grande. A tentação de pôr fim à vida por cansaço também. Nada tem a ver com religião; existe apesar da religião. É um testemunho de dentro, o que é relevante. Vi pelas entrelinhas e à distância a revoada com o livro do Henrique Raposo. Há uma opinião bem pensante que se arroga a autoridade de definir o que pensamos e como pensamos. Lembra-me sempre a moral salazarelha, confessionária, que existia no país em que cresci. Que se arrogava dizer o que era ‘bem’ de acordo com os costumes e o que era ‘mau’ ou ‘indecente’. Os rapazes não usavam cabelo comprido, isso era de panel…, as raparigas não usavam mini-saia, isso era de put…, namorar à distância, no intercourse. No drugs, no rockn’roll. Isso era de gente depravada, indecorosa. Este era o Portugal que conheci até 1974. Ainda depois disso esse Portugal antanho, troglodita, hipócrita, manteve-se nas familias tradicionais, no país do interior, nas famílias católicas praticantes. Como uma mordaça ou um açaime. Quem pensava diferente era de Moscovo, a sul do rio Tejo. Hoje vivemos um tempo de uma moral aprovada que define o que é conveniente e não conveniente. É uma padralhada sem hábito, nem crucifixo, mas com uma religião (laica) tão ortodoxa como aquela que dizem condenar. Em vez do crucifixo as bandeiras vermelhas, a foi e o martelo, em vez do evangelho de Cristo, o “Manifesto Comunista” e “o Que Fazer?”. Os tiques são os mesmos, a ortodoxia capaz de mandar quem discorda (sem um pestanejar) para as fogueiras, igual. Estaline mandava o chefe do KGB Lavrentiy Beria dirigir os interrogatórios e a execução sumária dos inimigos de Estaline, que às vezes assistia a eles. Kim Jong Un dirige pessoalmente as sessões de tortura aos que condena `a morte. É um pietismo marxista, hediondo e ameaçador, que faz o seu caminho e se se sugere às pessoas. Uma espécie de “padralhada” comunista que tem em comum o facto de ser politicamente ex-qualquer coisa, ex-UDPs, ex-PCPs, ex-PSs, ex-BEs. O dogmatismo emerge à superfície à mínima irritação e contrariedade. Morte aos traidores! Pois é. A natureza totalitária deste pensamento ordenador apresenta-se como uma matraca. A polícia de Salazar usava matracas, gás lacrimogéneo e carros de água para dispersar quem se manifestava contra a sua ordem. Hoje os polícias da Nova Ordem têm outra cara e usam outras palavras. Alguns são mulheres. Há três anos visitei os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau onde foram dizimadas milhões de pessoas. Detive-me nos pavilhões femininos, ao fundo do Campo de Birkenau, do lado esquerdos fornos e não pude deixar de ler as descrições do tratamento dado às presas pelas guardas. Uma dureza, um desprezo pela dignidade humana, uma selvajaria que me abanou de alto a baixo. Como um estremeção. As guardas de Auschwitz e Birkanau eram mais desumanas e torcionárias que os seus correspondentes homens.  Implacáveis. A maturidade da vida e o conhecimento do passado leva-me a olhar para estas coisas com precaução e sentido crítico. Porque a raça humana é capaz de tudo e um cabelo separa a humanidade da vileza. Quem o nega quer-nos fazer passar por parvos. Não mudámos; não nos envergonhámos, os animais que vivem entre nós estão prontos para o festim. Basta que surja a oportunidade e percamos o sentido crítico.Guardas mulheres

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