Ainda Ho Chio Meng

Jorge Neto Valente faz declarações incisivas ao Tribuna de Macau, na linha do que escrevi, ontem, aqui. Notas: a gravidade do caso de Ho Chio Meng para a imagem do MP e da própria RAEM; o facto de durante dez anos não ter sido detectada qualquer irregularidade na Procuradoria; o possível tráfico de influências no orgão de defesa dos interesses do Estado, quer dizer da RAEM. Sonia Chan fazia ontem, também, o possível ‘damage control’ (o que é natural) declarando que as instituições funcionam e por isso é possível o levantamento do processo judicial. É verdade mas há muito mais além disso.
Ninguém constroi um império como um mandarim e um ano depois de ter saído o império deixa de funcionar, as lealdades esboroam-se no tempo, os amigos deixam de ser amigos. Na vida normal as coisas não funcionam assim. Depois a detecção de irregularidades. Seria interessante perceber porque é que o anterior Comissário do CCAC não actuou enquanto dirigiu o comissariado. Não sabia? Não havia indicios? É estranho. Diz Jorge Neto Valente que o sistema não funciona. Pelo que recordo (já lá vão 24 anos quando estive nos Serviços de Justiça) as hierarquias do Ministério Público e da Magistratura Judicial nunca gostaram que um departamento do governo (a Direcção dos Serviços de Justiça) decidisse sobre as suas despesas e disciplinasse os seus procedimentos internos. Enquanto não ficaram com esses poderes (com a mudança para a RAEM) não descansaram. Os Srs Magistrados acham que o poder de autorização de despesas e de gestão de pessoal está no âmbito dos seus poderes. Não admitem interferência do Executivo, nem dos serviços. Hoje temos aqui o resultado.
Sobre o inquérito judicial estou também preocupado. Pela simpatia corporativa gerada, num caso que é a imagem de todo o Ministério Público a ficar atingido. Seria importante que um magistrado independente, sem ligação a Ho Chio Meng e ao lobby de Guangzhou, pudesse dirigir a instrução. Não vamos ser ingénuos. Conhecem a palavra ‘guanxi”? Não há lobby? Por amor de Deus. À medida que o processo judicial se avolumar é a imagem do governo a ficar atingida. O Chefe do Executivo ficou fragilizado com este caso. Edmundo Ho teve o seu factor de fragilidade também. E Pequim irá lembrá-lo até ao último dia do mandato de Chui. Faltam três anos e nove meses.

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Arnaldo Goncalves's photo.
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