O caso das crianças de Oeiras

justica

Destacando e subinhando o post do meu amigo Zé Eduardo de Sousa sobre as crianças mortas em Oeiras, que subscrevo na integra. Pela curta cobertura da RTP Internacional, aqui disponivel, fiquei indignado com o que vi. O que há é um relaxe das obrigações do Estado em matérias de enorme sensibilidade social e que são termómetros da saúde da sociedade civil. Que manifestamente está doente. Há uma irresponsabilidade total das magistraturas que não têm prazos a respeitar, nem prioridades. Nada. O que lá cai no Ministério Público, cai num poço sem fundo. Não digam que é falta de meios humanos. O Proença de Carvalho dizia numa entrevista desempoeirada, ontem, que aumentou 7 vezes, repito 7 vezes, o número de magistrados judiciais e do MP em Portugal desde os anos 1970. É relaxe; é preguiça, é falta de profissionalismo. A Sra. Procuradora-Geral deveria, no minimo, abrir um inquérito a esta passividade do MP. Depois as Comissões de Acompanhamento destes casos. Uma titia qualquer girondava, numa conversa sem nexo no telejornal, a explicar porque a Comissão tinha feito o seu dever ‘despachando’ a batata quente para o MP. Que se tenha percebido nenhuma outra insistência foi feita pela estrutura, com crianças em perigo de vida, perante um pedófilo à solta. Não recordo quem é o Ministro que tutela essa tal comissão mas no lugar dele despacharia, rapidamente, a senhora para o quadro dos excedentes (não sei se é assim que se chama). O que revelou foi uma total insensibilidade pelo problema humano, uma burocrata a justificar a forma incompetente como lidou com o problema. Lembra-me sempre o depoimento de Goebbels no Julgamento de Nuremberga. Estava apenas a cumprir ordens; era funcionário público diligente. Hannah Arendt retrata bem essa insensibilidade perante a dor humana, o padecimento dos outros.

“As pessoas e os bichos juntam-se e vivem em comunidade por uma questão de segurança.
É assim.
A primeira função do Estado é a segurança. Depois vem o resto.
Tudo o resto.
Antes de outra coisa qualquer, as pessoas juntam-se, seja em tribos de 20 pessoas ou numa comunidade de 10 milhões, para garantirem a sua segurança.
O nosso Estado também tem essa função.
Aquela senhora que matou as filhas no Tejo queixou-se de violência doméstica à APAV. Fez queixa do marido à PSP e GNR. Denunciou a violação da filha de 4 anos.
Não sei se isto é verdade ou não.
Nem interessa.
O que interessa é que 2 meses depois das queixas, a resposta do Estado foi 0.
Nada.
O Estado não teve resposta para esta senhora. Nenhuma. A ser verdade a história que conta, é uma vergonha. Mesmo.
Ouvi um “especialista” numa coisa qualquer dizer que o que esta senhora fez foi um “homicidio altruista”.
A semana passada a propósito da eutanásia, e de quando se enganam no Luxemburgo e Bélgica, que a coisa se chama “erro funerário”.
Tou farto de especialistas e de parvoíces.
Há coisas onde o Estado não se devia meter, como com quem me deito na cama, se fumo dentro do meu carro ou em negociatas manhosas.
Há outras onde tem de se começar a meter a sério e a dar resposta. Por exemplo, meter a colher entre marido e mulher e proteger crianças quando for caso disso.
O sistema que temos é uma pantomina.
Completa.
Zé Eduardo Sousa’s photo.”

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s