António Costa, Primeiro-Ministro

António_CostaSoube-se ontem `as 20 horas de Macau, 12 de Lisboa. Cavaco indigitou António Costa para Primeiro-Ministro. O convite e o desfecho era previsível. Defendi-o nas últimas semanas como a única solução politicamente possível. Desde que o executivo de Passos Coelho foi chumbado no Parlamento não havia outra saída. Não um governo de iniciativa presidencial; não um governo de gestão. O primeiro seria chumbado inapelavelmente no Parlamento; o segundo não teria condições políticas para se manter. Cavaco fez bem. A política é o que é e joga-se com as cartas que cada jogador tem no seu baralho. Costa jogou bem. Avaliou as suas próprias forças; convenceu o PCP e o BE a dar-lhe carta cinzenta pálida para derrotar o bloco PSD-PP. Foi manobrador, incisivo, convincente. Tem agora (se se confirmar o elenco de nomes do Diário Económico) um elenco político extraído da sua Comissão Política com mais uns independentes que colaboraram com o PS na redacção do Programa e nas medidas macro-económicas. Uma mistura entre ex-fiéis de Sócrates e politicos muito próximos de Costa, o seu núcleo duro. Vejo o meu amigo Eduardo Cabrita, Ministro e não posso deixar de aqui lhe enviar um forte abraço de parabéns. Fez a pulso a sua carreira política no PS, no regresso de Macau e chegou agora ao ponto que se calhar almejou. Mário Centeno, Maria Leitão Marques, Manuel Caldeira Cabral, Vieira da Silva, Capoula Santos, Azeveredo Lopes, Ana Paula Viorino, Margarida Marques são nomes esperados e que farão do elenco de Costa um elenco politicamente coeso. Lamento apenas Augusto Santos Silva nos Negócios Estrangeiros. Foi um ministro medíocre de Sócrates, um politico mal-formado, ressabiado, vingativo, que não me parece que dê grande imagem externa a Portugal, num tempo de urgência em termos de segurança europeia, de visão estratégia da nossa posição na Aliança Atlântica. É talvez o submarino de Sócrates neste governo.
Adiante o essencial vai ser a convivência com Cavaco Silva. Vão ser 3 meses de navegação à vista, de chamadas de atenção, de puxões de orelha. Não se sabe ainda o que está na carta que Costa entregou a Cavaco, mas os compromissos que assumiu vão ser escrutinados um a um. Quando aos aliados de coligação objectiva, quer PCP quer o BE vão exigir uma política consequente de esquerda. Não creio (ao contrário de Henrique Monteiro e outros analistas) que Costa governe ao centro. Vai ter de governar à esquerda para manter o apoio parlamentar dos comunistas e dos radicais de esquerda. 2016 vai ser um ano de broas, como se diz no Natal, de dinheiro abundante, de medidas populistas, para encher o olho, para estimular o consumo, na velha receita keynesiana que falhou por todo o lado. As importações vão disparar e a balança comercial vai-se desnivelar. Depois de 4 anos de restrições e aperto, as pessoas vão-se sentir desafogadas. O consumo privado irá disparar (como o público). A folga orçamental que foi criada por Maria Luis Albuquerque vai permiti-lo.
Costa tentará sugerir a Bruxelas um déficite de 3% do PIB para 2016. Provavelmente a situação de instabilidade de segurança na Europa irá ajudá-lo. Até porque as medidas a nivel de refroço operacional da segurança interna, nacional e europeia, terão de ser significativas. Não se faz omoletes sem ovos, nem se combate terroristas com acenos aos direitos fundamentais.
Do lado do PSD e do CDS há que ter calma e cumprir as tarefas de partidos de oposição. Controlar o governo, fazer o ‘checks & balance’. Aproveitar cada fraqueza, cada erro para flagelar o adversário. Haverá com certeza motivos abundantes. Até porque as forças do Partido Comunista nas ruas não deixarão em paz o governo e exigirão mais e mais. A Concertação Social vai ter um papel essencial porque permitirá enrolar o jogo e fazer ganhar tempo. Será bom que não haja precipitações. Que se dê tempo ao tempo. A pressa será má conselheira. Tem de se dar a oportunidade a Costa de mostrar que a solução para que arrastou o país não vingará, porque é uma solução contra-natura. Mas é preciso que as pessoas vejam. Não basta argumentá-lo.
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2 respostas a António Costa, Primeiro-Ministro

  1. Franz E. diz:

    os mofos foram embora. mas ainda resistem. vendem o país. não só eles. o PS também o fez. isso é lamentável.

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