Duas notas à vida internacional

A party member sells party uniforms and memorabilia at the National League for Democracy (NLD) stand at the party's head office in Yangon March 7, 2013. The NLD will hold its national congress from March 8 to 10, the first since its formation in 1988. The party of pro-democracy leader Aung San Suu Kyi says about 900 delegates have been nominated to attend the congress by more than 1.2 million members around the country, which has an estimated 60 million people. REUTERS/Soe Zeya Tun (MYANMAR - Tags: POLITICS SOCIETY ELECTIONS) - RTR3EOEO :rel:d:bm:GF2E9370KWC01

No alvoroço dos últimos dias com a situação política em Portugal tem sido pouco o tempo para olhar para outros lugares do mundo. Aqui cabe fazer a devida correcção. Desde logo a vitória de Aung San Suu Kyi  nas eleições na vizinha Mynamar (Burma). A notável prestação da presidente do partido democrático que conseguiu reunir à sua volta toda a oposição ao regime militar birmanês acentua a sua maturidade como política e a capacidade de esperar, resistir e construir uma vitória expressiva. Não será Presidente do país, pelo manobrismo constitucional da junta militar mas na prática seja quem for que dirija os destinos do país no governo, ela será quem manda. Duas ilacções a retirar: por um lado é correcto resistir em nome da justiça contra a mão férrea das ditaduras, pois mais tarde ou mais cedo elas são obrigadas e ajoelhar; por outro lado a acção da comunidade internacional, das democracias liberais, dos media foi essencial criando uma imagem de ícone da democracia que pouco a pouco se impôs. Falta agora o mais difícil: lidar com as enormes expectativas criadas na população birmanesa pelo partido democrático, sobretudo os mais pobres e desprotegidos que foram nestes anos deixados de lado pela corrupta elite militar birmanesa. Também combater uma corrupção que é endémica e que acompanha o significativo crescimento económico da nação asiática.

putin

O segundo apontamento a morte de cerca de duas centenas de pessoas na explosão que abateu o avião comercial que fazia a ligação entre uma estância de recreio no Egipto e Moscovo. Sabe-se agora que se tratou de um atentado, muito provavelmente do Estado Islâmico. Foi posto logo a seguir no Youtube um video em que um grupo terrorista se reivindica autor do atentado, reclamando com ele punir a Russia pela sua participação em ataques aéreos contra alvos na Síria em zonas ocupadas por terroristas do ISIS.  Putin tentou, nas primeiras semanas, negar essa associação mas está comprovado que a Rússia voltou ao cenário militar do Médio Oriente depois de anos de críticas ao protagonismo dos Estados Unidos na operação Iraque e no envolvimento no Afeganistão. Vladimir Putin não esquece a incómoda derrota militar no Afeganistão que ceifou milhares de soldados russos e constitui uma das causas da queda da União Soviética. Gostaria de se vingar dos que lhe aplicaram essa derrota. Mas o Médio Oriente é agora diferente. Os aliados da véspera (Saddam e Al-Assad) ou desapareceram do mundo dos vivos ou confrontam-se com fracturas da soberania nacional que são aparentemente irrecuperáveis. O Médio Oriente é uma constelação de débeis nações árabes na vizinhança do grande e expansivo Irão. A única esperança de estabilidade e manutenção da paz é Israel.

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