Pelas razões mais mesquinhas

Está-se a escrever história pelas razões mais mesquinhas. Vamos ter um partido que perdeu as eleições legislativas, há pouco, a dirigir uma coligação de governo. Com o apoio de dois partidos que têm no seu programa, a transformação revolucionária da democracia burguesa. Não acredito – ao contrário de quem embandeira em arco na imprensa de Lisboa – na transformação reformista do PCP. O PCP é pelo programa e pela prática um partido leninista-estalinista. Não será por razões conjunturais que muda de programa e de ideologia. Creio que apenas um receio o movimenta nesta direcção: o facto de Catarina Martins ter forçado a convergência com o PS porque não dispõe de qualquer ‘peso político’ nos sindicatos ou no poder autárquico. Para satisfazer a clientela partidária, Catarina Martins oferece-lhe, com este acordo, lugares na administração pública. A perder peso significativo nos sindicatos e mantendo alguma representação nas autarquias, o PCP não poderia deixar passar entre mãos (para o Bloco) a sua influência na administração pública e no sector dos transportes que é essencial como mecanismo de pressão sobre qualquer governo. As greves de transportes são a única coisa que pode fazer um governo hesitar nas negociações da contratação colectiva.DN

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