TAP, o fim de um pesadelo?

Arranjou-se a solução possível para a TAP. Alienada a maioria de capital da empresa a um empresário que tem uma carreira relevante no sector e se comprometeu a fazer investimentos significativos. Num tempo de recessão da aviação comercial mundial em que vários dos monstros ou desapareceram ou fundiram-se com outras companhias este era o destino mais aconselhável. O Estado, isto é os contribuintes, não poderiam continuar a vazar milhões e milhões de euros para uma empresa que é insolvente e que como qualquer corpo moribundo deveria ser enterrada. É o que acontece em qualquer negócio familiar, quando as despesas ultrapassam as receitas e não há projecção que as coisas se invertam. Pois era uma empresa de bandeira. Como a PT ou a EDP. Mas num tempo de economia globalizada as empresas não podem funcionar, em redomas de vidro, como se não houvesse o mercado e a concorrência, lá fora. Têm de se adaptar. O negócio poderia ter sido melhor? Seguramente, se a empresa não tivesse entrado, há anos, numa espiral de gestão deficitária pelas sucessivas greves de pilotos e outros sectores profissionais à procura de condições irrealistas para o país que temos e para o que se pode pagar. Quando se fizer o balanço, daqui a algum tempo, os sindicatos devem ficar satisfeitos com o descalabro a que conduziram a companhia, numa gestão criminosa e irresponsável do que se arrogam ser os interesses dos seus associados. Um dos bastiões da Intersindical e do Partido Comunista Português, esquece-se a imprensa sempre ‘informada’ de referir. É que isso não é de somenos; explica a estratégia de confronto permanente, de greves após greves, de agitação sem cessar. Como se a prioridade não devesse ser garantir os empregos e salvar a empresa. Mas isso os agitadores da Intersindical não querem perceber. Para eles 2015 é 1975, com o poder popular, as ocupações de terras,  a reforma agrária, as nacionalizações, o poder operário nas empresas. Uma Cuba ao tamanho do rectângulo. É gente que não aprende nem nunca aprenderá. Espero que este governo (e o que se lhe seguir) faça uma monitoragem séria do contrato celebrado com David Neelmann. Quanto às providências cautelares e aos seus encalorados promotores boa sorte na acção principal, pois aí é que tudo se decidirá. Não é difícil uma defesa da posição do Estado.

O ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, e o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, após a reunião do Conselho de Ministros que decidiu o vencedor do concurso para a venda da TAP, em Lisboa

João Relvas / Lusa

Dez milhões não é ter lucro, é ter as despesas pagas, escreve Pedro Santos Guerreiro. Mas embora o valor possa parecer baixo e chocar muita gente (são dois anos de salário de Jorge Jesus…), o governo está a ser coerente – e David Neeleman está a comprar uma empresa insolvente, o que aliás se vai manter nos primeiros anos. O que é bom para a TAP é bom para o país?

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