25 de Abril

Salgueiro MaiaLembro Salgueiro Maia e os militares de Abril pelo arrojo e pelo sentido de liberdade. Um golpe militar que se tornou um movimento de libertação de um povo manietado por uma lógica inquisitorial, prepotente, cerceadora dos direitos e da capacidade de auto-expressão. Uma lógica que atravessava todos os domínios da sociedade portuguesa impondo a ‘regra’ a quem não concordava. Lembro-me como se fosse hoje o funeral de Salazar e o povo ‘cordeiro’ perfilado nas estações de comboio a ver a urna a passar; lembro o ambiente cinzento, o pavor de ser ouvido e vigiado, a censura nos jornais, as histórias dos ‘ballet rose’ e dos pederastas do regime, a saga das famílias nas despedidas dos contingentes que iam para a guerra em Angola. Lembro as ‘conversas em família’ e o míope professor de direito que foi escolhido por não ser uma ameaça ao regime e não teve a coragem de protagonizar as mudanças que importavam. Um país a preto e branco retratado nas fotos do Eduardo Gageiro e do Século Ilustrado. Glacial, triste, fado, Fátima e futebol. E Salazar, o velho das botas, cobrindo o país como um véu negro.

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