Pedro Passos Coelho

PPC

Maria João Avilez diz tudo o que é preciso dizer. Somos um país do bota abaixo. Quando alguém se destaca da mediania e sobe na vida comprando umas botas da moda não descansamos enquanto o homem não fica sem as botas. Não fazemos um único esforço para também as merecer: não o melhor é tirá-las. Corre por aqui uma série de ressentimentos quanto ao homem (PPC). Confesso que algum dele é merecido. O homem terá ido longe demais nalgumas políticas de contenção e aperto, terá querido ser bom aluno da burocracia de Bruxelas. Não terá sido o primeiro (Guterres gabava-se de ter posto Portugal como bom aluno da Europa). Mas não tem amigos a comprar-lhe casas em catadupla, não veste no melhor alfaiate de Los Angeles, não colecciona depósitos em paraídos fiscais por interpostas pessoas, não tem uma família com meios de riqueza inexplicáveis. Mora em Massamá e passa férias em Manta Rota. É um tipico pequeno-burguês com hábitos corriqueiros de um pequeno burguês. Não convive com ricos e poderosos (como Barroso gosta, por exemplo, de fazer). Veio da política e cresceu na política diz-se. Também Sócrates que se conheça nunca teve qualquer outra actividade do que a política. E Guterres e Soares antes deles.
Quando começamos a atirar pedras a quem se perfila no horizonte temos que ter uma visão relativa das coisas para não sermos apanhados em contrapé. O discurso das jotas é disso um bom exemplo. Mais de metade dos que se insurgem contra quem faz carreira na política nunca mexeu um dedo para servir a comunidade onde vive para participar na política. Quando em ditadura tinham medo de ser prejudicados. Em democracia, a política – diziam – era para os calões, para os vigaristas. Não merecia um esforço, a mexida de um dedo do pé. É a mesma postura que os leva a nunca participarem numa reunião do condomínio mas serem os primeiros a criticar a decisão de subida das suas despesas. Nunca vão à reunião da turma do filho ou da filha mas são os primeiros a criticar quando a professora falta por baixa médica ou não dá a nota que imaginam que o filho/a merece. É a mesma postura que os leva a truncar a declaração do IRS inventando despesas que não existem para pagarem o mínimo ou não pagarem.
São estes alguns dos mais exaltados criticos do Primeiro-Ministro.
Confesso que nos dois últimos anos tenho descordado de várias medidas que PPC tomou levado por uma deriva economicista que toma pouco em conta os problemas das pessoas reais e do país lá fora. O que critico não é a direcção mas o exagero, o excesso da tabela de Excel como se as pessoas fossem convertíveis em parcelas das colunas da mesma tabela. Depois, esta psicose portuguesa de ‘sermos bem comportados’, de ‘sermos bons alunos’ um tique que nos ficou do fascismo, das arengas de Salazar, dos complexos de falharmos perante o pai tirano. Fui critico da falta de determinação que teve perante Paulo Portas, que lhe tirou o tapete em frente ao país, criando uma crise governativa que poderia ter levado ao fim do governo. Mas apesar dessas gafes, de alguma inabilidade de comunicação, de falar demais quando deveria estar em silêncio não posso deixar de admirar a sua resistência, a sua resiliência, a sua determinação e focagem nos objectivos que fixou quando se candidatou. Estamos pouco habituados a que alguém não se desvie dos objectivos que definiu qusndo criticado em público, Como diz a Maria João Avilez é um homem programado, previsível, que faz bem o seu trabalho de casa e que não se deixa levar pelas emoções. Depois de derrotado em todos os prognósticos afinal parece que se mantém de pé.

Passos Coelho começou pré-condenado ao fracasso e à brevidade politica. E logo desde o início, o que deu uma coloratura viva ao mandamento político, unilateralmente decretado: Passos “não duraria”.
observador.pt
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