Política e partidos

Politicos

Seja por formação realista que me vem dos anos do prinçipio da idade adulta de afinidade com o marxismo tenho uma enorme dificuldade de acreditar em anjos, fadas madrinhas e nos bons corações (na política). Porque a política se bem que se reivindique de aprumo moral (daí a leitura kantiana da política que retrata todo o idealismo filosófico) tem uma conexão carnal com o interesse, com a apropriação do poder e com a derrota dos adversários. Não há politica que não se afirme pela separação entre ‘nós’ e os ‘outros’. As escolhas partidárias e ideológicas mergulham nessa premissa (s0mos melhores que os outros; o nosso partido é que é!). Quando os agentes políticos falam no consenso o que eles querem dizer é que os outros (os adversários) devem negociar com eles, ir ao seu caminho, adoptar as suas propostas, ‘ceder’. Quanto os partidos adoptam posições políticas diversas das do seu programa ou da sua ideologia, os adversários dizem que lhes imprimiram uma ‘grande derrota’, que os levaram ao tapete. Na verdade não é bem assim: os partidos fingem concordar com estratégias inversas das suas por calculismo, por tactismo, por hipocrisia. Em política não há uma derrota definitiva uma vez que o combate pode ter princípio (quando um partido aparece) mas não tem fim (a menos que um partido desapareça). A política é feita de egos e vaidades. Ninguém vence na política senão tiver aquela parcela de arrogância, de auto-convencimento, de soberba de quem se acha na posse da verdade. Porque a política é feita de imagem, de marketing, os partidos mostram uma virulência que normalmente os seus militantes de primeira linha não exprimem entre si nas conversas privadas. Os partidos consideram que os eleitores são estúpidos, que têm de ser conduzidos ao que verdadeiramente interessa, que lhes têm de ser mostrada a verdade e as escolhas. Os partidos contudo não o dizem, porque se afirmassem ipsis verbis que os eleitores são estúpidos ninguém votaria neles. Por outras palavras não teriam mercado e sem mercado um partido não consegue sobreviver. Mas a política é uma importante actividade humana porque reside em escolhas possíveis e não desejáveis. Na verdade, de uma forma ou outra, tudo é política embora se diga e repita que há um mundo lá fora para além da política. É pura mentira.

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