Sinais, Tsipras e a Europa dos ricos e poderosos

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A política faz-se de sinais e este é um deles: a ligação entre uma vitória política de ruptura e o passado traumático da ocupação nazi. Alexis Tsipras deu o sinal como se faz uma política de princípios, se afirma uma posição e só depois se negoceia. Não ao contrário. Reza a anedota que os alemães perderam a Guerra de traseiro para ar. Os gregos manifestamente não a querem perder sem vencer cara a derrota. Vê-se na imprensa cinzenta um pouco pela Europa a certificação do óbito anunciado dos gregos como se os povos não tivessem a legitimidade de se baterem por aquilo que acham o interesse nacional. Naturalmente os gregos [como os outros europeus] cederam parte da sua soberania nacional para fazerem parte da União Europeia mas não a cederam toda. Longe disso. A política económica continua uma estrita parcela da soberania dos Estados. E o que se trata no caso da dívida soberana grega é um caso de salvaguarda da independência da Grécia. Nem se trata tanto de um arrufo de menino mal-criado mas perceber-se que este é um tempo de viragem. Os gregos [e um dia destes os europeus] estão fartos de politicos cinzentos, do sistema, preocupados com oa opinião que o FMI, o BCE e os habituais ‘trutas’ do capital financeiro têm dos gregos. E naturalmente podem pôr no seu horizonte a hipótese de não saldarem as dívidas que têm relativamente às ajudas da Troika. Não será o primeiro nem o único país da história contemporânea que não saldou as dívidas de ajuda internacional que lhe foi dada. O continente africano está cheio de países que nunca pagaram os empréstimos internacionais que lhe foram dados a titulo de assistência. São pobres? Se tomarmos em atenção as oligarquias milionárias que os dominam o que se pode dizer é que são países onde existe um enorme fosso de riqueza e uma elite cleptómana que se apropria de parte significativa da riqueza nacional e a põe a salvo em contas em paraísos fiscais. Depois temos o Brasil de Lula da Silva que nunca saldou as dívidas que contraiu nas ajudas financeiras do FMI [o Brasil está no terceiro lugar entre os maiores devedores]. Para não falar das indemnizações de guerra que a Alemanha e a Itália nunca saldaram. Por isso o argumento do ‘mau comportamento’ dos gregos é relativo.

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