As ‘primárias’ do PS, o país e as legislativas de 2015

imagesManifestamente não dou mais cartadas para este ‘jogo’. É um problema do PS que este tem de resolver. De fora pode-se ter opinião (como tudo na vida). Desejo sinceramente uma grande afluência de militantes e simpatizantes no próximo sábado e que vença o que melhor se identifique com o sentir do partido. Neste momento, como observador, não tenho preferências. Talvez para ser sincero não gosto nem de um nem de outro. Quer como perfil quer como ideias (ou o vazio delas). Acho que o PS merece bem melhor que uma luta de galos. É um dos partidos estruturantes da democracia e no passado votei várias vezes nele. Cortei em 2000 quando Guterres levou a esquerda para o buraco em que ela está: uma plataforma de tráfico de influências, de cronismo, de clientelismo. Nessa data passou a não se distinguir da direita, a tal dos interesses, do capital e a ideia da ‘igualdade’ passou a ser uma grotesca e hipócrita afirmação. Falo do conhecimento que extraí do aparelho do Estado e das empresas do chamado sector público.
Não sei se sinceramente haverá reconciliação depois das feridas abertas nos debates e à volta deles. Estou com o JMF estes são dois homens que se odeiam e que se deixaram de respeitar. O que perder sentir-se-á legitimado pelos votos para cavar a sepultura ao que ganhar.
Em termos nacionais não tenho uma visão facciosa da luta política e discordo do quanto pior melhor. O país precisa de um PS forte, escrevi várias vezes na coluna quinzenal no Hoje Macau. Os governos consolidam-se com uma oposição forte, porque assinala os erros, as contradicções, os falhanços. O governo do PSD-PP não teve infelizmente esse contraponto. Já falo no passado porque o sentimento de fim de festa é notório. Não porque o governo tenha falado miseravelmente mas porque a conjuntura não ajudou e desde a demissão de Portas ficou fragilizado.
Se percebo a mentalidade dos portugueses teremos governo minoritário socialista a partir das próximas eleições legislativas. O eleitor português tem um nível de tolerância dos fracassos dos governos grande, mas num dado ponto – quando está farto- reage não com a razão mas com o coração e com as emoções. Sinto que o eleitor português quer mudar e seja qual for o desenlace das eleições internas deste sábado dará a vantagem ao PS. Comentá-lo-ei mais próximo desse tempo mais esse tempo de oposição será positivo para o PSD. É preciso ‘limpar’ internamente o que resta da nebulosa dos interesses, dos compadrios do poder autárquico, das ‘combinações’ entre os políticos e as empresas. Esta ideia que se instalou na vida política portuguesa que não é possível ir contra os grandes empresários, as multinacionais e os bancos porque amanhã serão os patrões dos políticos tem gerado os maiores atropelos e corruptela à democracia portuguesa.
Reagimos com raiva quando nos dizem que Portugal é um país de corruptos e não sendo isso rigorosamente verdade, é um país que escamoteia, obnubila a corrupção seja a de grande ou a de média dimensão. O aparelho de justiça é responsável por isso, porque se cala. Os magistrados e os seus sindicatos perceberam há muito que para manter os seus privilégios (e são vários) não podem ir muito longe na preseguição criminal dos políticos. Porque se o forem, o poder legislativo pode retirar esses privilégios.
É um jogo de cabra-cega em que cada um esconde os móbeis do outro.

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