A propósito da autonomia das universidades

oxford

Mantenho uma posição de independência perante este ‘caso’ (http://opiniaopontofinal.wordpress.com/2014/06/26/sem-fe-na-liberdade) que se tornou assunto de escândalo e fofoquice local. Tenho visto várias posições inflamadas sobre a questão de observadores. Dos envolvidos vi a posição do Reitor Stilwell, que conheço mal; ainda não vi a do destinatário da medida disciplinar. Conheço-o mal, lembrando-me dele do Macau Ricci Institute e de uma conferência de 2003 em que apresentei uma comunicação. Parece-me um académico versado, preocupado com as questões históricas e da região onde vive. Tem opiniões formadas como é habitual neste meio. Isso acontece em qualquer longitude.

Preocupei-em em dado tempo com o que vi insinuado sobre a Universidade de São José sob a tutela do antigo reitor. Como académico, investigador da Universidade Católica Portuguesa  e antigo aluno, preocupa-me a associação pela negativa à minha universidade, quando o factor de credibilização é ela (e não outro). Disse-o em tempo a quem de direito, pois não gosto de mandar dizer por outrém nem fazer declarações bombásticas aos jornais. Que aliás, diga-se, cumprem o seu papel: criar ou vender uma ‘história’.

Na academia há várias regras sólidas sobre que se pode ter opiniões desfavoráveis mas são as que prevalecem. Uma delas é que somos avaliados pelos nossos peers (como se diz em inglês); a outra é que existe uma hierarquia que tem, durante um mandato, responsabilidades de gestão e competências para tomar decisões. Normalmente nas grandes universidades (lembro-me de Oxford, Cambridge ou Princeton) é o ‘chanceller’, o reitor à portuguesa que o faz. Normalmente, o reitor toma decisões depois de ouvir um órgão consultivo que existe na maioria das universidades. Tomada esta, o corpo docente e discente rege-se por ela. Não está naturalmente sujeito às opiniões do público nem dos jornalistas.

O que ocorre numa qualquer universidade, acontece com redobrada ênfase numa universidade privada, que vive das propinas dos alunos, da venda de serviços, do apoio dos doadores. Entidade que não funciona com verbas do Orçamento do Estado, porque não é um órgão do Estado, nem vive à sua sombra. É assim em qualquer parte do mundo.

A desacreditação da Universidade de São José é má para a Universidade Católica Portuguesa e para Portugal. E uma vitória para as instituições concorrentes, que estarão a rir-se deste folhetim.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s